domingo, febreiro 08, 2026

VOTAR, de Carlos d´Abreu.

 (Poño iste texto de Carlos aquí, polo interés que ten o tema do acto de votar, ou a decisión de nom votar, nestes tempos de democracias de usar e tirar, ou democracias meros sucedáneos)


VOTAR

Quem me conhece achará estranho este apelo.

No próximo dia 8 de fevereiro sinto-me na obrigação de votar, cousa que há dezenas de anos não ocorria, pois em determinado momento, ainda no passado século, comecei a duvidar das virtudes da democracia implantada, ao ponto de a considerar uma patranha, porquanto, envolvido numa campanha eleitoral autárquica, responsável por uma lista constituída por um grupo de cidadãos eleitores – chamava-lhe então apartidária – o resultado foi ter concluído que o sistema não era democrático, mas sim partidocrático.

Tudo porque as trapaças das outras listas candidatas, partidárias, foram muitas, com ilegalidades pelo meio, ilegalidades denunciadas mas às quais os órgãos do Estado não deram atenção. Quem não está com gregos nem com troianos...

Depois disso, passei a votar em branco, como protesto mas, entretanto, fui detectando falcatruas, capciosas, nos actos eleitorais e, aí, passei a não votar. Agora sinto-me na obrigação de o fazer.

A democracia, que vigora há já meio século, ultrapassando em tempo a duração daditadura, não soube afirmar-se, não soube desenvolver-se. O bipartidarismo instalou-se – e só era capaz de governar se tivesse maioria –, obtido através do método de Hondt, isto é, um modelo matemático utilizado para converter votos em mandatos. Talvez o problema não advenha apenas daí, por os círculos eleitorais corresponderem apenas aos distritos – circunscrições administrativas criadas pelo Liberalismo através duma revolução burguesa, e que hoje regulam apenas isso mesmo, o círculo eleitoral, por para nada mais já servirem – mas o sistema parlamentar lucraria se houvesse também um círculo nacional, dando a possibilidade assim, a alguns grupos partidários, poderem aceder ao Parlamento.

Parlamento a que só os cidadãos dos partidos acedem. Parlamento que vê todos os seus escanos ocupados pelos partidos políticos, mesmo que a abstenção ganhe as eleições, como habitualmente acontece.

O sistema democrático não cumpriu a Constituição de 1976, que o implantou, a prova disso é que, há alguns anos a esta parte, o Tribunal Constitucional até legalizou um partido de índole fascista, partido esse que, em duas ou três eleições, passou a ser a terceira e depois a segunda força partidária em termos de votos para a Assembleia da República e, neste momento, o caudilho desse partido, disputa a segunda volta para a presidência da República.

Por isso deslocar-me-ei 200km para ir à assembleia de voto a que pertenço, será a minha colaboração, pois corremos o risco de vir a ter uma Ditadura, não imposta pela força das armas como habitualmente mas, instituída pela via democrática.   São estes hoje os ventos da História, fruto do estertor do capitalismo que apoia e financia fortemente os partidos de extrema-direita – já não lhe bastando condicionar os democráticos – que, uma vez a governarem os Povos, a exploração dos trabalhadores voltará em força e a maioria dos direitos conquistados, cairão por terra, através do autoritarismo repreessivo.

Não irei votar no candidato dum partido que continua a ter na sua designação a palavra socialismo. Não, não é isso, votarei num rapaz que até é simpático – é certo que viveu durante a vida sobretudo da “manjedoura” partidária –, da minha geração, com quem me cheguei a cruzar na “juventude socialista” da minha adolescência. Não votarei no candidato desse partido, pois o tipo de democracia que ajudou a implantar, fez-me passaa designá-lo apenas como PS, pela sigla (ou até PSOE dependendo de que lado da Raia me encontrar) e nada mais. O Capitalismo não permite aos dirigentes dos partidos que herdaram alguma doutrina da LIBERDADE, que verdadeiramente a defendam, são formatados para o dizerem mas não para o fazerem.

Com a eleição como presidente da república do Seguro, a democracia seguramente que não arrepiará caminho e não voltará aos ideais de Abril, continuará provavelmente nesta modorra, mas a verdade é que, se o partido do candidato a caudilho vier a ter maioria no parlamento, o presidente da república terá ainda poder constitucional, para não proceder à sua nomeação como presidente do conselho de ministros, antes que consiga os dois terços para rever a constituição. Assim espero.

Se o adversário do Seguro vencer, aí temos a certeza de que a debilitada democracia dará

um grande passo atrás, o caminho será de retrocesso, caminharemos para um “Velho” Estado, uma ditadura, como já disse, implantada pela via constitucional, democrática, através de eleições livres. As eleições têm sido livres mas o “conto” está bem montado. Somos livres mas vigiados, condicionados, aliás como a própria LIBERDADE tem sido até aqui, sobretudo desde o 25 de novembro de 1975, dia e acontecimento que ditou a morte da revolução social iniciada logo após o 25 de Abril de 1974.

Enquanto a utopia acrata se não alcançar, e é utopia porque ainda se não cumpriu,colaboremos então com o que resta de democracia. O ayatolá do CHEGA exorta desavergonhadamente o autoritarismo, quando a democracia o não devia permitir.

CHEGA de exploração, CHEGA de racismo, CHEGA de xenofobia, CHEGA de repressão, CHEGA de patriarcado, CHEGA de machismo, CHEGA de guerras, CHEGAde desigualdades, CHEGA de injustiças, pois tudo isso é aberrante, tudo isso é contrário à dignidade das pessoas, tudo isso é contrário aos Direitos Humanos!


CHEGA de FASCISMO! Hoje e sempre!

Saúde, Liberdade, Poesia e Utopia!


Guarda, 6-2-2026

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